quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Uma batalha de muitas derrotas

Texto: 1 Sm 4

Introdução: A situação pecaminosa de Israel e do sacerdócio levou a nação a experimentar uma batalha de grandes derrotas, conforme vemos a seguir:

1 – Uma batalha de derrotas físicas. v. 2, 10
Morreram 34 mil israelitas.

2 – Uma batalha de derrotas morais. v. 10
Israel fugiu de seus inimigos.

3 – Uma batalha de derrotas pessoais. v. 11
A morte de Hofni e Finéias.

4 – Uma batalha de derrotas espirituais. v. 11
A arca de Deus foi tomada. Esse fato demonstra que eles tinham na presença da arca a garantia de suas vitórias, independente de sua situação moral. “Deus não se deixa escarnecer”. Eles “não compreendiam que um símbolo das coisas espirituais não é uma garantia absoluta da realidade que ele representa. Deus permanecia com o seu povo somente enquanto esse povo procurasse manter comunhão com Ele, segundo o concerto. Semelhantemente, sob o novo concerto, alguém ser batizado em águas, ou participar da Ceia do Senhor nenhum benefício espiritual lhe trará a não ser que viva em sincera obediência ao Senhor, trilhando seus justos caminhos (1 Co 11. 27-30)”.

5 – Uma batalha de derrota coletiva. v. 13
Toda a cidade, a nação de Israel sentiu a perda. Há erros cometidos individualmente que refletirão negativamente na coletividade.

6 – Uma batalha de derrotas familiares.
Morte de Hofni e Finéias. v. 11
Morte de Eli. v. 18
Morte da mulher de Finéias. v. 19 – 22

7 – Uma batalha de perdas que não se pode contabilizar. v. 21, 22
“Foi-se a glória de Israel.” Dá para imaginar o tamanho dessa perda? Mesmo que nos capítulos posteriores, a decadência de Israel reflita um pouco dessa perda, é impossível mensurar na sua totalidade, visto que o valor da “glória de Deus” está muito acima de qualquer imaginação humana.


Conclusão: O grau de nosso relacionamento com Deus definirá se teremos vitórias ou derrotas nas batalhas da vida.  

Em Cristo,

Pr. Samuel Eudóxio

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Pérolas ou ostras?

A pérola ou a ostra: qual é mais importante? A ostra nada mais é que um invólucro, uma casca, que para muitos, é sem valor. A pérola que ela produz e carrega sim, tem todo o valor. Deus tem muitas pérolas para os seus filhos, mas não se esqueça das ostras.
Mesmo que a ostra seja desprezada e tida como sem valor, muito pelo contrário é ela que produz a pérola. Isso me faz pensar sobre o que chamamos de tradição ou religiosidade contrapondo com uma vida plena no Espírito Santo. Há diversos movimentos que defendem um abandono das tradições religiosas, das liturgias e outros aspectos doutrinários que acompanham a igreja a tempos para dar lugar a uma efusão mais plena do Espírito Santo caraterizado por manifestações dos dons espirituais. Concordo que há elementos denominacionais que só servirão a determinada denominação e que por vezes são dificultadores para que essa efusão aconteça, mas de modo algum acontecerá um verdadeiro derramar do Espírito Santo sem a proteção da verdadeira doutrina bíblica e ortodoxa.
A busca pela pérola não pode desprezar a ostra. Uma vida plena no Espírito não pode desprezar as Escrituras, tradições e princípios bíblicos, posto que é justamente esses últimos que tem mantido a chama acesa a mais de dois mil anos. O contrário disso é modismo, e o modismo desvanece.
Portanto, não despreze a ostra.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A PRESENÇA DE DEUS GARANTE O SUCESSO DE NOSSA TRAJETÓRIA NA VIDA

1) Presença como garantia que chegaremos ao nosso destino. Ex 33. 12 – 17
2) Presença como aprovação divina. 1 Rs 18. 22 – 46
3) Presença como selo da salvação. Sl 51. 10 – 12; Ef 4. 30
4) Presença nas aflições e tribulações da vida. Mt. 28. 20
5) Presença quando falta-nos esperança. Lc 24. 13 – 35
6) Presença nos momentos de medo. Lc 24. 36 – 45; Jo 20. 19
7) Presença encorajadora. Jo 20. 22
8) Presença como garantia de uma grande colheita. At 2. 37 – 41; 4. 1 – 4; 5. 14; 6. 7;
9) Presença e poder que acompanham a pregação. 1 Co 2. 1 - 5

Em Cristo,

Pr. Samuel Eudóxio

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O que aprendemos com a história de Ana?

Texto: 1 Sm 1

1 – Havia uma crise no lar de Elcana. 1 Sm 1. 2, 6
1.1. Penina gerava filhos
1.2. Ana era estéril
1.3. Penina “irritava” Ana “para a embravecer”. v. 6

2 – Havia uma crise no sacerdócio. 1 Sm 2. 12 – 17
2.1. Os filhos de Eli, Hofni e Finéias, eram chamados de “sacerdotes do Senhor” em 1 Sm 1. 3
2.2. Tinham legalidade para exercer o ministério, mas não tinham legitimidade. 1 Sm 2. 12 – 17
2.3. Há um tratamento de Deus específico com aqueles que são chamados por Ele.

3 – As crises não os impediam de “subir” e adorar. v. 3, 10
2.1. A adoração de Ana não era segundo a sinceridade do sacerdote, mas do seu próprio coração.
3.2. Adorava independente das crises familiares que atravessava, e o fazia todos os anos. v. 7
3.3. Perceba que mesmo sabendo que seria irritada pela adversária Ana não deixava de subir para adorar
3.4. Ana adorava, mesmo com a “alma amargurada” e com lágrimas, mas sabia que estava na presença do Senhor

4 – Existem bênçãos almejadas que são insubstituíveis. 1 Sm 1. 4, 5, 8
4.1. Elcana abençoava Ana com uma porção excelente. v. 4, 5
4.2. Elcana tentava suprir a falta de filhos de Ana com a sua presença. v. 8
4.3. Porém, existem momentos que o vazio permanece, pois há coisas que somente Deus pode fazer.

5 – Atitudes de Ana que lhe levaram à vitória
5.1. Ana “orou ao Senhor” e “perseverou em orar perante o Senhor”. (10, 12). Há coisas que não adianta falar para ninguém, só para Deus.
5.2. Ana fez um voto ao Senhor: ela consagrou o filho. Tem muita gente que não recebe porque quer apenas para si. Somos mais abençoados quando somos liberais. (11)
5.3. Ana tinha um propósito e não abriu mão.

6 – Resultados da perseverança de Ana.
6.1. Sua oração foi respondida. (17)
6.2. Recebeu alegria no coração. Com certeza sua fé foi acrescentada, sua motivação, seu entusiasmo. (18)
6.3. Gratidão. Imagino que na manhã do dia seguinte a adoração de Ana foi diferenciada, pois ali já não estava um coração angustiado, mas cheio de fé e esperança. (19)
6.4. “...e o Senhor se lembrou dela.” (19). Aprendemos com Ana que Deus nunca se esquece, mas trabalha no tempo certo.


Conclusão: Ana dá-nos a lição de que devemos perseverar no propósito de servir a Deus, O adorar independente das circunstâncias, pois Deus nunca se esquece, mas trabalha no tempo certo. Além disso quando a bênção vem ela será motivo de gratidão e regozijo, como foi Samuel para Ana.

sábado, 18 de novembro de 2017

O Cristão e o fruto do Espírito

Texto: Gálatas 5. 16 – 26
Introdução: Quando falamos sobre estar dominado pelo Espírito Santo é importante que você saiba que não queremos falar de certos “movimentos” que estamos vivenciando em nossos dias. Em nome do Espírito Santo e de um pseudo avivamento muitos crentes estão envolvidos nas mais bizarras manifestações, como “cair no Espírito”, “unção do riso”, “unção do leão”, etc. Na verdade o espírito Santo está muito longe disso, e se entristece ao ver o caminho que certas igrejas estão seguindo com relação aos “dons espirituais” (1 Co 12). Nosso objetivo neste estudo não será abordar o tema das “manifestações, movimentos ou pseudo avivamentos”, mas falar especificamente do que é uma vida dominada pelo Espírito Santo de Deus. Que ele nos ajude, revelando-nos a sua vontade para conosco!
1 – Antes de tudo, quem é o Espírito Santo?
Cometemos um sério engano quando tentamos compreender o agir do Espírito, sem antes conhecer quem Ele é, como Pessoa. Cada crente precisa entender que o Espírito Santo é uma pessoa Divina, infinitamente santa, puro, sábio, poderoso, mas também carinhoso, sensível, amoroso e compassivo. Você crê, realmente, que Ele é digno de receber o seu amor, reverência, fé, adoração e rendição? Ou você crê que Ele é simplesmente uma “força” ou “influência poderosa”, um poder místico que vem de Deus. A forma como vemos o Espírito Santo dirá a maneira como me relaciono com Ele.
Se alguém o vê apenas como uma “força ou influência” irá constantemente dizer: “Eu quero mais do Espírito.” Ao contrário, alguém que O vê como Pessoa irá dizer: “Como eu posso dar mais de mim a Ele?”
Ao reconhecermos o Espírito Santo como Pessoa não estamos humanizando-O. O que estamos dizendo é que Ele possui atributos do que nós consideraríamos ser personalidade.
Vamos ver agora alguns versículos que irão ilustrar perfeitamente a personalidade do Espírito Santo:
  • Ele possui uma mente. Rm 8.27
  • Ele possui uma vontade. 1 Co 12. 11
  • Ele possui emoções, como amor e alegria. Rm 15. 30; Gl 5. 22
  • Ele consola. At. 9.31
  • Ele fala, claramente. Hb 3.7; 1 Tm 4.1; At 13. 2
  • Ele ensina. 1 Co 2.13
  • Ele pode ser entristecido. Ef. 4.30
  • Ele pode ser insultado. Hb 10. 29
  • Ele pode ser resistido. At. 7. 51
  • Ele pode ouvir mentiras. At 5. 1 -11
Você viu que o Espírito Santo é uma Pessoa? Há dúvidas com relação a isso? Não. O Espírito Santo é uma Pessoa, e a conhecemos como a Terceira Pessoa da Trindade. Não que numa escala de 1 a 3, Ele seja o terceiro em importância. Na verdade os três, Pai, Filho e Espírito Santo são Um só Deus. Deuteronômio 6.4diz: “Ouça ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Deus.” Romanos 3. 30 diz: “Existe um só Deus, que pela fé justificará”. Tiago 2. 19 diz: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem!”. O que precisamos entender é que existem três Pessoas distintas, mas somente um só Deus.
Sendo evidente para você que o Espírito Santo é Deus, deixe-me citar, para enriquecimento de seus estudos, alguns dos diferentes nomes utilizados para Ele na Bíblia;
  • Espírito Santo (96 vezes)
  • Espírito do Senhor (28 vezes)
  • Espírito de Deus (26 vezes)
  • Espírito Eterno (Hb 9.14)
  • Ajudador
  • Consolador
  • O Santo (Sl 78.41)
  • O Senhor (2 Co 3. 17)
  • Espírito da Verdade
  • Espírito de Cristo (Rm 8. 9; 1 Pe 1.11)
  • Espírito de Jesus Cristo (Fp 1.19)
  • Espírito de conselho (Is 11.2)
  • Espírito de conhecimento (Is 11. 2)
  • Espírito de fortaleza (Is 11. 2)
  • Espírito de entendimento (Is 11.2)
  • Espírito de sabedoria (Is 11. 2)
  • Espírito de temor do Senhor (Is 11.2)
  • Espírito do Pai – “de vosso Pai” (Mt 10. 20
  • Espírito da glória (1 Pe 4.14)
  • Espírito da graça (Zc 12. 10; Hb 10. 29)
  • Espírito de julgamento (Is 4. 4)
  • Espírito de fogo (Is 4. 4)
  • Espírito de vida (Rm 8. 2)
  • Espírito de amor (2 Tm 1. 7)
  • Espírito de poder (2 Tm 1. 7)
  • Espírito de equilíbrio (2 Tm 1.7)
  • Espírito de profecia (Ap 19. 10)
  • Espírito de revelação (Ef 1.17)
  • Espírito de santidade (Rm 1.4)
  • Espírito Santo divino
Antes de passarmos para o próximo tópico permita-me fazer algumas observações:
  • Primeiro, não existe vida Cristã sem o Espírito Santo
  • Sem o Espírito Santo, o Cristianismo é seco, monótomo e mundano
  • Sem o Espírito Santo, nosso trabalho é esgotador e cansativo
  • Sem o Espírito Santo, não existe comunhão com Deus

  • Segundo, remova o Espírito Santo de uma igreja e uma dessas coisas irá acontecer:
  • Ela se transformará num clube social
  • Ela se tornará uma instituição religiosa

  • Terceiro, a verdade é que:
  • Não há revelação sem o espírito Santo. Na verdade, sem o Espírito Santo, a Escritura se torna letal; pois nos foi dito: “a letra mata, mas o Espírito vivifica”. (2 Co 3.6)
  • Não há visão sem o Espírito Santo
  • Não há alegria sem Ele
  • Não há paz
  • Não há liberdade sem o Espírito Santo (2 Co 3.17)

2 – As obras da carne contrariam os frutos do Espírito. Gl 5. 16 -18
A vida Cristã é um campo de batalha. Dentro de nós é travada uma luta sem trégua entre a carne e o Espírito. Eles têm desejos diferentes, e por isso gera o conflito. E então, de que lado nós estamos?
Destaco 3 pontos importantes aqui:
2.1. Como vencer a batalha interior.
“Digo, porém: Andai no Espírito e não satisfareis os desejos da carne.” Gl 5.16
A carne representa o que somos por nascimento natural, e o Espírito, o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito. Os desejos da carne nos arrastam para longe de Deus e de seus propósitos, pois eles são “inimizades contra Deus”. Somente triunfa sobre a carne aquele que “andar no Espírito”. Se você alimentar a carne, fará provisão para ela, e fracassará irremediavelmente. Porém, se andarmos no Espírito seremos vitoriosos!
Andar no Espírito trata-se muito mais do que um movimento de “esquerda-direita”. Você precisa saber “de onde” e “para onde”. O andar constitui um movimento com sentido, direção e, por conseguinte, qualidade.
A carne desvia-se para tudo aquilo que é sujo. (2 Pe 2. 19 -22).
O corvo não volta para arca, ele quer o imundícia do mundo perdido. (Gn 8. 6, 7).
A pomba conhece o mundo podre e volta par arca. (Gn 8. 8 – 12). Um dia, Noé soltou a pomba e ela não voltou porque encontrara um lugar limpo e alimentação saudável. Assim nós, os crentes, só sairemos da “arca” para irmos às mansões celestiais.

2.2. Entendendo a natureza desta batalha interior.
“Porque a carne milita contra o Espírito, e o espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5.17).
Devemos ter em mente que fomos salvos da condenação e do poder do pecado, mas não da presença do pecado. Nos deparamos com ele todos os dias, e ele luta contra o Espírito Santo que habita em nós. Eles são opostos entre si. Alimentar, portanto, a carne é ultrajar, entristecer e apagar o Espírito Santo de nossas vidas. O comando de nossas vidas deve estar no Espírito Santo.
Esta batalha encontra três tipos diferentes de pessoas:
  1. O libertino não tem esse conflito porque segue suas inclinações naturais;
  2. O legalista, que confia em si mesmo, e não tem vitória no conflito;
  3. O crente que experimenta um conflito agonizante, mas alcança a vitória, pois o Espírito Santo que nele habita o capacita a triunfar.

2.3. Como viver livre da condenação do preceito exterior.
Mas se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.” (Gl 5.18)
Estar sob a lei significa derrota, escravidão, maldição e impotência espiritual, porque o homem não conseguiu cumpri-la (Gl 3.11 -13,21-23, 25; Gl 4.3, 24, 25; Gl 5.1). É o Espírito que nos põe em liberdade (Gl 4.29; 5.1, 5). A lei exige de nós perfeição, e nos condena, pois não somos perfeitos. Estar sob a lei é estar sob maldição, pois “maldito é aquele que não persevera em toda a obra da lei para cumpri-la”. Porém, quando somos guiados pelo Espírito, já não estamos debaixo da tutela da lei, e por isso, somos livres.

3 – Compreendendo as obras da carne. Gl 5. 19 – 21
Após falar da luta interior do homem, entre a carne e o Espírito, Paulo passa a falar sobre as obras d carne na vida daqueles que não herdarão o Reino de Deus. A lista apresentada por Paulo neste texto não esgota as obras da carne, uma vez que ele diz “e coisas semelhantes a estas” (5. 21). Para o nosso estudo, estas obras serão divididas em cinco grupos.
3.1. Pecados sexuais.
“ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia.” (5. 19)
A nossa velha natureza é secreta e invisível, porém as suas obras, as palavras e atos pelos quais ela se manifesta são públicos e evidentes. A palavra grega fâneros, traduzida por “conhecidas”, significa claro e manifesto. As três palavras apresentadas para os pecados sexuais são suficientes para mostrar que todas as ofensas sexuais, sejam elas públicas ou particulares, “naturais”, ou “anormais”, entre pessoas casadas ou solteiras, devem ser classificadas como obras da carne.
3.1.1. Prostituição. A palavra grega porneia, traduzida por “prostituição” refere-se a toda sorte de pecado sexual, seja adultério, fornicação, masturbação, incesto ou homossexualismo. Trata-se de um termo amplo que descreve toda sorte de relacionamentos sexuais ilícitos e imorais.Segundo Barclay, porneia é a prostituição, e porne é um prostituta. Háprobabilidade de que todas essas palavras tenham ligação com o verbo pernumi , que significa vender. Essencialmente, porneia é o amor que é comprado ou vendido - o que não é amor de modo algum. Na Grécia o relacionamento antes e fora do casamento era praticado sem nenhuma vergonha. Os gregos tinham amantes para o prazer, concubinas para as necessidades diárias do corpo e esposas para gerar filhos.
3.1.2. Impureza. A palavra grega akatharsia, traduzida por “impureza” é um termo mais geral, o qual, embora às vezes possa denotar impureza ritual, refere-se aqui à impureza moral. Essa impureza inclui impureza dos atos, palavras, pensamentos e intenções do coração. É o pus de uma ferida não desinfetada.
3.1.3. Lascívia. A palavra grega aselgeia, traduzida por “lascívia”, significa literalmente a libertinagem de modo geral, mas aqui é usada referindo-se às relações sexuais. Aselgeia refere-se a devassidão, um apetite libertino e desavergonhado. Trata-se daqueles atos indecentes que chocam o público. Um homem entregue a lascívia não conhece freio algum, só pensa no seu prazer e já não se importa com o que pensam as pessoas.
3.2. Pecados religiosos.
“... idolatria, feitiçaria...” (5.20)
Esses pecados falam de ofensa a Deus , pois são uma perversão do culta a Deus.
3.2.1. Idolatria. Grego eidolatria, refere-se à adoração de deuses feitos pela mão do homem. É o pecado no qual as coisas materiais chegam a ocupar o lugar de Deus. È colocar qualquer coisa antes de Deus e das pessoas. Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. Isso não aceita inversões.
3.2.2. Feitiçarias. Grego pharmakeia, significa uso de remédios ou drogas. O termo significa também o uso de drogas com propósitos mágicos. A linha divisória entre medicina e a magia não era muito nítida naqueles dias, como continua ocorrendo em muitas culturas tribais hoje em dia, e até mesmo nos grandes centros. Há médicos que uma vez que não resolvem o problema do paciente, estão encaminhando-os a consultas espirituais e feitiçarias.
3.3. Pecados sociais.
“... inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas...” (5. 20b, 21a)
3.3.1. Inimizades. Grega exthrai, significa hostilidade, animosidade. Trata-se daquele sentimento hostil nutrido por longo tempo, que enraíza no coração. É o oposto do amor.
3.3.2. Porfias. Grega eris, significa lutas, discórdias, contendas, querelas. Traz a idéia de alguém que luta contra a pessoa com a finalidade de conseguir alguma coisa, como posição, promoção, bens, honra e reconhecimento. É a rivalidade por recompensa.
3.3.3. Ciúmes. Grega zelos, significa querer e desejar aquilo que o outro tem. Podem ser tanto coisas materiais, como posição, reconhecimento ou honra. É o sentimento de tristeza não porque não se tem algo, mas porque o outro tem.
3.3.4. Iras. Grego thumoi, significa arder em ira ou ter indignação. Temperamento violento e explosivo presentes em pessoas que estouram por qualquer motivo e manifestam destempero emocional.
3.3.5. Discórdias. Grega eritheiai, significa conflitos, lutas, contendas. Trata-se de um espírito partidário e tendencioso. Descreve a pessoa que busca um cargo ou posição não para servir ao próximo, mas para auferir proveito próprio.
3.3.6. Dissensões. Grega dichostasiai, significa sedição, rebelião, e também posicionar-se uns contra os outros. Só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros.
3.3.7. Facções. Grega aireseis, significa heresias, a rejeição das crenças fundamentais em Deus, Cristo, as Escrituras e a igreja. Envolve abraçar crenças sem o respaldo da verdade. Provavelmente Paulo usou par grupos divisores da igreja que desembocaram em seitas ou grupos. Tais grupos fragmentam a igreja, se sentindo acima de toda verdade.
3.3.8. Invejas. Grega fihonoi. Vai além dos ciúmes. É o espírito que deseja não somente as coisas que pertencem aos outros, mas se entristece pelo fato de outras pessoas possuírem essas coisas. Eles não somente desejam o que do outro, mas também que o outro sofra pela perda do que tem. É mais do que desejar o bem do outro. É desejar que o outro perca o que tem. “É a maior enfermidade entre os homens.”
3.4. Pecados pessoais.
“... bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas...”5.21b)
Falta de domínio próprio na comida e na bebida.
3.4.1. Bebedices. Grega methai, refere-se à pessoa que se embriaga na busca de sensualidade ou prazer. no mundo antigo tratava-se de um vício comum. Os gregos bebiam mais vinho do que leite. Até as crianças bebiam vinho. A embriaguez transforma homens em feras.
3.4.2. Glutonrias. Grega komoi, é a busca desenfreada por prazer, seja na comida ou em qualquer outro meio. A palavra pode ser traduzida também por orgias. È diversão que se degenera em licenciosidade.
3.5. Julgamentos para os vivem na carne.
“... a respeito dos quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” (5. 21c)
Paulo não está falando de um ato pecaminoso, mas do hábito de pecar. Aqueles que praticam o pecado não herdarão o Reino de Deus. Aqueles que vivem na prática do pecado e não se deleitam na santidade nem mesmo encontrariam ambiente no céu.

4. Compreendendo o fruto do Espírito.
Paulo faz um contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. As obras falam de esforço, o fruto é natural. As obras Ca carne são resultado do nosso labor, e o fruto do Espírito é realização do Espírito em nós. O fruto do Espírito tem origem sobrenatural, crescimento natural e maturidade gradual.
O apostolo fala de nove virtudes morais que são produzidas pelo próprio Espírito. Esse fruto precisa ser cultivado de forma espontânea para que se torne proveitoso e saboroso.
Vamos observar quatro verdades aqui:
4.1. O Espírito Santo produz em nós o seu próprio fruto.
“... o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.” (5. 22, 23)
Esses frutos não podem ser simulados. Ninguém frutificará alheio à operação do Espírito Santo. É bom lembrar que Paulo fala de “fruto” e não “frutos”. É um fruto com nove gomos, portanto, não tem como produzir um e outro não. As nove virtudes produzidas em nó pelo Espírito Santo podem ser classificadas em três áreas: (1) a atitude do cristão para como Deus;(2) a atitude do cristão pra com outras pessoas; (3) a atitude do cristão para com ele mesmo.
4.1.1. Virtudes ligadas ao nosso relacionamento com Deus.
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz ...” (5. 22 a)
A - Amor. Grega ágape. Inclui tanto amor a Deus como amor ao próximo. No grego há quatro termos para amor: (1) Eros, o amor de um homem por uma mulher; imbuído de paixão; (2) Filia, ou filos, é o amor caloroso para os nossos achegados e familiares; amor fraternal; (3) Storge, o amor dos pais pelos filhos; (4) Agape, é o termo cristão, que significa benevolência invensível.
B – Alegria. Grega chara. Alegria fundamentada num relacionamento consistente com Deus. Não é a alegria que provém das coisas terrenas ou triunfos passageiros, nem mesmo é a alegria de triunfar sobre um rival; antes, é o gozo que tem Deus como seu fundamento. A Bíblia fala do óleo de alegria, com o qual Jesus foi ungido. (Hb 1. 9)
C – Paz. Grega eirene. Refere-se a paz com Deus. Usada para descrever a serenidade e a tranqüilidade que goza um país sob um governo justo. Significa não apenas ausência de problemas, mas, sobretudo, a consciência de que nossa vida está nas mãos de Deus. (2 Co 4. 7 – 10)
4.1.2. Virtudes ligadas ao nosso relacionamento com o próximo.
“... longanimidade, benignidade, bondade...” (5. 22 b)
A - Longanimidade. Grega makrothumia. Significa ânimo espichado ao máximo. É a pessoa tardia em irar-se. Trat-se de paciência par suportar injúrias deoutras pessoas. Descreve o homem que, tendo condições de vingar-se, nõ o faz.
B – Benignidade. Grega crestotes. Significa gentileza. Disposição gentil e bondosa para co o outro. O jugo de Cristo é crestos (Mt 11.28). trata-sede uma amável bondade.
C – Bondade. Grega agathosyne. Bondade ativa, como um principio energizante. A bondade pode reprovar, corrigir e disciplinar. Diz os estudiosos que Jesus mostrou essa “bondade” quando purificou o templo e expulsou os que o transformaram em um mercado.
4.1.3. Virtudes ligadas ao nosso relacionamento com nós mesmos.
“... fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (5.22 c, 23)
A – Fidelidade. Grega pistis. Significa fé, lealdade. Descreve a pessoa que é digna de confiança.
B – Mansidão. Grega prautes. Significa dócil submissão. É poder sob controle. A palavra usada para um animal que foi domesticado e criado sob controle.
C – Domínio próprio. Grega egkrateia. Significa autocontrole, domínio dos próprios desejos e apetites. Aplicava-se à disciplina que os atletas exerciam sobre o próprio corpo (1 Co 9.25) e o domínio cristão do sexo (1 Co 7.9).
4.2. Os salvos crucificam a carne.
“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (5.24).
O verbo grego estaurosan, “crucificados”, indica uma ação completa no passado, referindo-se a conversão. Estamos ligados a Cristo na sua crucificação, morte, sepultamente, ressurreição e ascensão. Estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais, acima de todo principado e potestade (Ef 2.6). Devemos assumir essa posição (Gl 2.20; 5.24; Rm 6.6).
Aqui, o velho homem deve lembrar-se todos os dias qual é a sua posição: crucificado com Cristo. Ele deve tomar a sua cruz e seguir Jesus (Mc 8. 34). Essa rejeição que o cristão faz de sua velha natureza tem de ser impiedosa, dolorosa e decisiva. A crucificação éum tipo de morte que ninguém pode aplicar em si mesmo, por isso Paulo diz que a carne já foi crucificada com Cristo. Cabe ao crente crer nisso e viver e agir de acordo.
4.3. Os salvos vivem de forma coerente em relação a Deus.
“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (5.25)
Se o espírito Santo habita em nós e produz o seu fruto devemos também andar no espírito. Não pode existir inconsistência em nossa vida. O verbo grego stoichomen, “andemos”, significa ficar numa fila, caminhar em linha reta, comportar-se adequadamente. A palavra era usada para o movimento numa linha definida, como numa formação militar. O tempo presente aponta para uma ação habitual contínua.
Paulo fala de duas situações distintas: “... andar no Espírito” (5. 16, 25), e “...ser guiado pelo Espírito” (5.18). A primeira expressão está na voz passiva, e a segunda, na ativa. É o Espírito quem guia, mas quem anda somos nós.
4.4. Os salvos vivem de forma coerente com relação aos irmãos.
“Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (5.26).
O orgulho e a inveja são obras da carne e não fruto do Espírito. São pecados, e incompatíveis com a vida do salvo.
A ambição é a mãe de muitos males de nossa sociedade, e também na igreja. Paulo exorta a nos precavermos desse erro, pois a kenodaxia, “vanglória”, nada mais é do que a ambição ou o anelo por honras, por meio dos quais cada pessoa deseja exceder as demais. A palavra diz respeito a uma pessoa que sabe como receber um respeito ao qual não faz jus, e demonstra, por suas ações, conversa fiada, vanglória e ambição. Entre os crentes, aquele que deseja glória humana se aparta da verdadeira glória.

Conclusão: Que o Espírito Santo nos auxilie para que o Fruto do Espírito possa ser uma realidade na vida de cada crente e que o nível espiritual da igreja brasileira seja medida pelo fruto produzido, e não pelos "movimentos" sem fruto algum que estamos vendo em nossos dias. 

Em Cristo, e para a edificação da igreja,
Pr. Samuel Eudóxio

BIBLIOGRAFIA

1 – Bíblia Thompson; Editora Vida; 2ª edição; 3ª reimpressão; 2013
2 – Bíblia de Estudo Dake; Editota Atos e CPAD; 2009
3 – O Espírito Santo; John Bevere; Lan Editora; 3ª impressão; 2014
4 – Gálatas, a carta da liberdade cristã; Hernandes Dias Lopes; Hagnus; 1ª edição; 2011
5 – Porção dobrada; José Gonçalves; CPAD; 1ª edição; 2012
6 – Rastros de fogo; José Gonçalves; CPAD; 1ª edição; 2012
7 – Revitalizando a igreja; Hernandes Dias Lopes; Voxliteris Hagnos; 1ª edição; 2012
8 – O verdadeiro avivamento; John Armstrong; Vida; 2001